
I SEMANA ACADÊMICA DE PSICOLOGIA DO UNIFOR-MG LEVANTA DEBATES SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE
sexta-feira, 29 de agosto de 2025.
Nos dias 27 e 28 de agosto, o Centro Universitário de Formiga promoveu a Primeira Semana Acadêmica de Psicologia. Com o tema “Entre Redes e Territórios: A Inserção da Psicologia nas Políticas Públicas de Saúde (SUS) e Assistência Social (SUAS)”, o evento reuniu estudantes, professores, profissionais da área e convidados para discutir o papel da Psicologia nas políticas públicas.
A abertura oficial ocorreu no dia 27, no Salão Prof. Walmor de Borba, com grande presença do público. O reitor, Prof. Dr. Marco Antonio de Sousa Leão, deu as boas-vindas ao público e ressaltou a importância do evento: “Essa semana acadêmica é um passo fundamental para que nossos alunos compreendam, na prática, a complexidade da atuação do psicólogo em contextos sociais amplos, marcados por desigualdades, mas também por potências coletivas”.
Na sequência, uma roda de conversa reuniu especialistas para discutir os desafios e possibilidades da atuação dos psicólogos em territórios vulnerabilizados, reforçando a importância do trabalho em rede e da escuta qualificada como ferramentas essenciais na construção de políticas públicas eficazes. Gabriel Nogueira Ferreira, psicólogo e coordenador do RAPS – Formiga, destacou as ações realizadas por eles: “A Rede de Atenção Psicossocial, a RAPS, é formada por uma série de serviços diferentes. Aqui em Formiga temos o CAPS II, os PSFs também acolhem demandas de saúde mental. Além destes dois equipamentos, também temos a UPA, o SAMU, que são casos de crise e situações de urgência, na rua ou em domicílio; além dos leitos psiquiátricos na Santa Casa”.
A psicóloga do CAPS I de Arcos, Adriana Veloso Parreira, ressaltou a importância de levar o trabalho da instituição com mais seriedade pela população: “A gente tem visto nas redes sociais uma banalização do sofrimento mental e o CAPS não é meme, ele salva muitas vidas. É um serviço sério, de muita responsabilidade social, que requer muita atenção e é um trabalho que exige uma equipe grande por trás, desde a área da saúde clínica até a assistência social. Não é legal este tipo de brincadeira e é bom desmistificar isto para a sociedade”, finalizou.
Também presente na mesa-redonda, o psicólogo clínico Luiz Carlos Menezes, falou sobre a importância do paciente buscar o atendimento psicológico: “Um passo fundamental para quem procura este tipo de serviço é conhecer, pelo menos de modo superficial, quais são os instrumentos, as técnicas utilizadas pelo profissional, para ela buscar uma identificação com ele. E também é fundamental que ela compartilhe esse desejo, essa demanda com as pessoas próximas, com sua rede de apoio, para manter a motivação e obtermos sucesso com mais facilidade no atendimento clínico”.
O diretor do CAPS I de Arcos, Gladson Henrique Silva,reforçou o tema do evento: “Nós temos reforçado o trabalho em Rede da saúde mental e o curso de Psicologia do UNIFOR-MG foi muito feliz na escolha do tema, pois engloba todos os desafios que temos vivido nestas redes”.
No segundo dia, 28 de agosto, a mesa-redonda mobilizou o auditório para um debate profundo sobre as vivências e os enfrentamentos cotidianos de profissionais que atuam diretamente no Sistema Único de Saúde e no Sistema Único de Assistência Social. Estiveram presentes nomes como o assistente social Ronilson Resende da Silva, a psicóloga Camila Makalister e a vereadora Joice Alvarenga, egressa do UNIFOR-MG.
Ronilson Resende ressaltou a importância da parceria entre o psicólogo e a assistência social: “Toda a questão da política de assistência e a parceria entre o psicólogo é muito benéfica para toda a população”.
Já Camila Makalister compartilhou desafios práticos enfrentados no SUAS: “Já tem um tempo desde o surgimento do SUAS, mas é um campo novo para nós, psicólogos, de muita importância”.
Joice Alvarenga discursou sobre os 20 anos do SUAS na Proteção Social Brasileira: “O SUAS cuida das famílias em situação de risco social, ou seja, aquelas pessoas que sofreram violação de Direitos. A gente sabe que o risco pode ser tanto pela privação de renda, quanto pela violação de seus direitos, a exemplos de crianças abusadas e exploradas, idosos vítimas de maus tratos, entre tantas outras situações. Então, é importante a gente pensar como o psicólogo se insere dentro deste sistema, qual o trabalho ele vai desenvolver na saúde social, que tem uma lógica diferente da saúde mental”.
O público presente, composto em sua maioria por estudantes da graduação em Psicologia, participou ativamente dos debates, trazendo questões pertinentes e demonstrando grande interesse em compreender os diferentes campos de atuação da profissão.
O evento surge também com o objetivo de celebrar o Dia do Psicólogo, comemorado no dia 27 de agosto. Segundo o Prof. Dr. Mardem Leandro, coordenador do curso de Psicologia, “é o dia de celebrar este profissional que mais tem contribuído para a transformação social, desde a pandemia, como verificamos. Ele tem ajudado todos a entender o que significa os limites da saúde mental na sociedade”.